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CURIOSIDADES

   
 
 

Longevidade

 

    Longevidade nada mais é do que a duração de vida de um organismo. O sonho de uma vida longa é coisa muito antiga da raça humana. Há 2.000 atrás, no Império Romano, os homens mais longevos viviam cerca de 40 anos. Vinte séculos se passaram para que essa situação pudesse mudar. Hoje a média de vida da raça japonesa é de 83 anos. Mas, a longevidade não interessa somente à raça humana; os animais precisam de uma longevidade maior, especialmente para aqueles de grande produtividade ou de estimação. O sonho de ter uma vida prolongada, parece ser o sonho de toda a raça humana. Mas, é bom lembrar que não basta viver muito, mas acima de tudo, viver com qualidade de vida. A  vida máxima atingida por um ser humano( Homo sapiens ) até agora foi 122 anos. Outros animais como o cavalo (Equus caballus) foi 62 anos; no cão doméstico (Canis familiaris) foi de 34 anos. No caso do cão essa idade não é pequena, ela  equivalente aproximadamente a 249 anos de um ser humano.
Disso podemos concluir que, a expectativa de vida pode ser mudada não só no ser humano, mas também nos animais. Porque no geral, um cão vive em torno de 10 a 12 anos. Na prática, isso significa que, mudando-se o estilo de vida, pode-se esticar a longevidade de uma determinada espécie animal.
      A gerontologia  atualmente está voltada para decifrar todas as alterações funcionais que ocorrem no interior das células, ao longo da vida, com o objetivo de compreender os processos do envelhecimento e montar estratégias que possam minimizar seus efeitos com o passar do tempo.
      A longevidade de qualquer ser vivo está associada a diversos fatores.
O envelhecimento dos seres vivos passa obrigatoriamente por fatores como:
desgaste no DNA das células, defeitos genéticos, fatores ambientais, doenças e expressão dos gerontogenes. Alguns desses fatores estão relacionados a elementos intrínsecos do próprio organismo, tal como, fator genético herdado dos pais. Nesse caso, filhos de pais longevos, tendem a ser longevos também e vice versa. Estudos mais recentes mostram que os fatores ambientais têm um peso maior no envelhecimento, quando comparados com os fatores genéticos. E há os fatores externos que contribuem ou não com a longevidade de determinado organismo. A longevidade de uma determinada espécie, pode estar relacionada diretamente aos fatores externos. Embora a senescência seja previsível, ela não é geneticamente programada como se pensava até pouco tempo. Não existem genes que determinam a forma de como envelhecer nem em que momento da vida isso pode se iniciar. O que existem são genes variantes cuja expressão pode determinar uma vida mais longa ou não.
      Para qualquer espécie que queira se manter viva e saudável por mais tempo, terá que fugir dos elementos que possam antecipar os sinais de envelhecimento e desgaste de suas células. E esses elementos são muitos. Entre eles, podemos citar por exemplo, as radiações, os raios ultravioleta e infravermelhos, isso para falar dos sinais de desgaste referentes à pele. Os sinais de envelhecimento da pele são bem visíveis em animais como os chimpanzeis e no próprio ser humano. Em grande parte dos animais, especialmente nos invertebrados, os sinais de envelhecimento de pele quase sempre estão ausentes, ou não se pode detectá-los. Nos vertebrados, especialmente nos mamíferos que têm seus corpos cobertos por pelos, os sinais de envelhecimento de pele, às vezes, tornam-se difíceis de serem observados. As partes do corpo que ficam expostas às radiações, são essas a mostrarem os maiores sinais de envelhecimento precoce. Mas, os sinais de envelhecimento não se restringem apenas aqueles deixados na pele. A perda de massa óssea e atrofia muscular (sarcopenia) constituem sinais muito fortes de envelhecimento nos vertebrados. A sarcopenia se caracteriza pela redução no volume e na quantidade de fibras musculares. Uma das formas de reverter essa situação é praticar exercícios físicos. O que para os donos de animais domésticos de estimação não é difícil, uma vez que, a hidroginástica ou a caminhada se constituem em modalidades de exercícios de fácil execução.
      A morte não é problema para muitas espécies de seres vivos do planeta. Quando se mantém estável as condições do meio em que essas espécies vivem, a vida para elas parece se tornar eterna. Os organismos unicelulares como as bactérias, se multiplicam de forma infinita sem que a célula que lhes deu origem possa morrer, a menos que se modifique o meio. Organismos multicelulares como as anêmonas, parecem imunes ao envelhecimento. Elas são capazes de viver durante muito anos sem mostrar nenhum sinal de envelhecimento. Na luta para se descobrir os segredos de uma vida longa, essas anêmonas podem ser muito úteis.
      Nos últimos anos, algumas pesquisas têm demonstrado que, fatores
nutricionais como a ingestão de alimentos calóricos, formam a mola
propulsora do envelhecimento. As pesquisas têm indicado que, dietas com restrição calórica da ordem de 65%, têm contribuído para aumentar em mais de 50% o tempo de vida dos animais de laboratório. Acredita-se que as células possuam mecanismos de proteção contra o envelhecimento, ainda desconhecidos pela ciência; mas que, esses mecanismos são desativados com o uso de uma alimentação inadequada. O que a ciência atual dá como certo é que, quando um
organismo é submetido a um regime de baixas calorias, começa desacelerar seu metabolismo para poupar suas reservas. Assim, o organismo passa a produzir menos "Radicais Livres" (O-, OH- CH3- e H2O2 ou água oxigenada). Os Radicais Livres são uma espécie de resíduo metabólico resultante da oxidação dos nutrientes e são considerados os elementos químicos mais agressivos à integridade física e funcional das células. Estima-se que, cerca de 5% de todo oxigênio consumido seja transformado em radicais livres.
      Os açúcares se constituem nos verdadeiros vilões dessa história uma
vez que, ao penetrarem na corrente sanguínea, ativam a produção de insulina por parte do pâncreas. Os Radicais Livres são liberados no interior das mitocôndrias, depois de serem oxidados. Mitocôndrias são organelas celulares (uma espécie de usina energética) que existem em grande número (centenas) em cada uma das células dos seres vivos. Estima-se que, numa única célula de camundongo ocorram mais de 100.000 ataques dos Radicais Livres por dia, ou seja, um ataque para cada 1,15 segundos. Toda vez que esses Radicais Livres são liberados no interior das mitocôndrias, essas organelas de desgastam e com o tempo, a produção de energia por parte delas fica prejudicada e a célula mostra sinais de desgaste e começa morrer. A quantidade de ataques depende do nível de atividade metabólica de cada célula. Por isso, os atletas que têm um bom condicionamento físico e cujo coração não precisa trabalhar intensamente junto com o sistema respiratório para mandar grandes quantidades de oxigênio ao interior de cada célula; suas células acabam tendo um rendimento melhor no aproveitamento do oxigênio e sofrendo menos ataques dos Radicais Livres. Mas, o que se provou também é que, os exercícios físicos em excesso obrigam as células a trabalharem intensamente durante esse período, e por isso, recebem um bombardeio maior dos Radicais Livres. O que é positivo nisso é que, o bombardeio maior dos Radicais Livres se processa por um pequeno período, ou seja, enquanto durarem os exercícios.
As pesquisas têm provado que exercícios físicos regulares promovem  uma produção maior de enzimas que protegem as células contra os ataques dos radicais livres. Mas, para que os exercícios não funcionem ao contrário daquilo que é desejado, eles não devem permitir que a freqüência cardíaca se eleve a mais de 80% da freqüência máxima.
      Também o que se dá como certo é que, as células ao se formarem já têm um tempo programado para viver e depois morrer. Os chamados genes deletérios nascem com cada indivíduo, sendo responsáveis em parte, pelo desgaste das células. Mas, esses genes só começam atuar depois que os animais se reproduzem. A longevidade é resultante da interação genética com os fatores ambientais. Mas, o que a ciência observa é que, os fatores ambientais têm um peso maior na longevidade dos seres vivos do que têm os genes deletérios.
      Outras pesquisas mais recentes têm apontado o efeito de substâncias do
grupo dos polifenóis (*antioxidantes) encontradas em produtos como uvas, vinhos e azeite de oliva, como sendo capazes de realizar os mesmos efeitos da restrição calórica apregoados pela ciência, como sendo a chave para prolongar a vida das pessoas ou animais. E ainda,  antioxidantes como vitamina C, betacarotenos, etc.
      Chamamos atenção para os problemas que foram constatados nos animais de laboratório que foram submetidos a dietas com redução calórica. Entre os problemas mais pronunciados, foram destacados: queda da libido e problemas de hipotermia. Tudo indica que o ideal é buscar o bom senso e equilibrar a dieta.
      * Papel dos antioxidantes na longevidade.
      Do que foi exposto acima, compreende-se que, as pesquisas foram
voltados para o prolongamento da vida humana. Depreende-se que, muitos dos nossos animais domésticos, especialmente aqueles têm regime alimentar
onívoro, podem se beneficiar das mesmas medidas adotadas por seres humanos naquilo que concerne à longevidade. Não podemos esquecer acima de tudo que, uma nutrição balanceada tem uma importância capital na longevidade dos animais.

  

Antônio Alves de Siqueira
Médico Veterinário CRMV  MG  Nº 4534
Diretor de conteúdo e editor chefe.

 

 

 

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